
Quando amadurecemos, começamos a perceber certos vícios em nosso comportamento, que nos leva a permitir que as pessoas nos tratem com desrespeito, falta de consideração e até mesmo, agressividade. Embora nossa percepção fique mais clara a respeito disso, muitas vezes, não conhecemos o caminho, não sabemos como fazer para mudar essa situação.
Também se aplica a mudança de hábitos, como fumar; comer demais; ficar muito tempo assistindo TV e telas em geral; estar com pessoas que não gostamos, ou ainda, sobre aquela resistência em começar um novo hábito, como praticar atividade física, ler livros. Tudo está associado ao nosso comportamento; nossa maneira de viver a vida e de enxergar as coisas do nosso próprio ponto de vista.
Conhecemos a necessidade, sabemos que devemos mudar estes comportamentos, dar um basta a certas situações, ou incluir novas, porém, não conseguimos evoluir neste sentido. Na década de 70, os psicólogos James Prochaska e Carlo DiClemente criaram uma estrutura que vinha a compreender, medir e intervir nos comportamentos, dando ênfase à intencionalidade, sugerindo que a mudança nos comportamentos é um processo contínuo.
Com base nos estudos realizados, eles criaram o Modelo Transteórico de Mudança, que é amplamente aplicado em áreas da saúde, na psicologia e desenvolvimento pessoal, que contempla 6 fases, através das quais, vamos reconhecendo nosso comportamento vicioso e, ao passo em que avançamos através das fases, adquirimos força para exercer um posicionamento sobre o comportamento que está nos prejudicando.
Conforme vamos evoluindo através das fases de mudança, os “vícios” de comportamento vão diminuindo, nos trazendo uma nova visão e, melhor que isso, nos fazendo enxergar novas maneiras de conduzir as situações do cotidiano, fortalecendo o autoconhecimento e autoconfiança para tomar as decisões necessárias.
Confira as seis fases:
1. Pré-contemplação
Nesta fase, a pessoa ainda não reconhece que tem um comportamento problemático (aceitar como as pessoas nos tratam tem a ver com o nosso comportamento, não com o delas); ou não tem intenção de mudá-lo no futuro próximo (geralmente nos próximos seis meses). Pode haver negação ou falta de conscientização sobre o impacto do comportamento (por exemplo: queremos que o outro mude seu tratamento conosco; queremos que a academia seja perto de casa; queremos que o médico permita que eu continue a fumar… Queremos que tudo mude, ao invés de nos conscientizarmos que nós é que temos que tomar uma decisão);
2. Contemplação
Aqui, a pessoa começa a refletir sobre a mudança. Reconhece que há um problema e considera os benefícios e desafios envolvidos. Embora ainda não esteja comprometida com a ação, existe uma abertura para pensar no assunto. A questão não é mudar o outro, ou mudar a situação e sim, pensar em atitudes para sair, movimentar-se, mudar a si mesmo. Dar um basta. A caminho da próxima fase;
3. Preparação
Nesta fase, há um compromisso em mudar. A pessoa começa a planejar ações práticas e a tomar pequenos passos em direção à mudança. Pode incluir coisas como buscar informações, estabelecer metas ou procurar suporte. Começa a materializar como será a sua vida numa nova situação. Enfrentamentos, decisões, etc;
4. Ação
É a etapa em que a mudança efetiva ocorre. A pessoa modifica seu comportamento, adota novos hábitos e implementa o plano que foi desenvolvido na fase anterior. Esta fase exige esforço contínuo e atenção para evitar recaídas. Há uma necessidade de concentração extrema em seus objetivos; não se permitir influenciar, manter-se no foco;
5. Manutenção
Após as mudanças serem feitas, a pessoa trabalha para evitar recaídas e consolidar o novo comportamento no longo prazo. Há uma busca por estabilidade e pela criação de um estilo de vida que sustente as novas escolhas.
6. Encerramento (ou término)
Nesta última fase, o novo comportamento está completamente integrado e não há mais risco significativo de recaída. A mudança se torna parte natural da identidade e rotina da pessoa.
Ao chegar à maturidade, a vida oferece uma oportunidade única de transformação. O que muitas vezes é visto como um momento de estabilidade e reflexão também pode ser uma fase de reinvenção e crescimento. A habilidade de mudar ou adaptar comportamentos pode abrir portas para o bem-estar físico, emocional e social, além de fortalecer a autoestima. Se necessário, busque apoio psicológico.
O autoconhecimento é um guia poderoso para entender que transformar hábitos e comportamentos exige tempo, planejamento e persistência. Não desista!

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